Canoa

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Pegamos a canoa, que ainda está perto da beira. Empolgados, já subimos bem rápido. Famintos por felicidade. Famintos por amor. A gente nem pensa, só embarca. A canoa encanta. E quando nos damos conta, estamos navegando.
As águas são fundas, mas ainda avistamos a beira. Você queria navegar mais. Deixar ir mais longe com aquela disposição que enfrentaria qualquer rio bravo. Porém, nem todos os navegantes se sentem assim. Alguns chegaram em seus limites, outros não querem fugir do raso e uns tem medo das tempestades. Ou as três coisas e quem sabe uma quarta.
Entendemos que a canoa está meio furada e já começa a acumular um pouco de água. Não estamos completos. Estamos navegando com muito medo. Inseguros e cheios de dúvidas. Temos ainda mais medo de pular e nadar de volta para a beira. E se a água estiver muito gelada? E se nos afogarmos? Nem sabemos se ainda nadamos direito. Navegamos mais um pouco. Com a canoa furada mesmo. Tá entrando água e nos esquecemos que quanto antes afundarmos, mais fácil de voltar para a beirinha. Vamos nadar. Que seja logo. Mesmo com a água gelada, mesmo chorando. Só precisamos saber a direção: estamos nos recuperando em direção a beira. Que bom que ainda conseguimos vê-la. Que afunde, que pule, que doa menos agora do que mais tarde (quando não der pra avistar a margem). Vamos passar por isso logo. Deixar afundar para refazer. Reencontrar. Vamos beirar.
Já estamos beirando!


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