Es(colha)

Tempo de leitura: 2 minutos

Em frente a uma imensidão de mexericas, eu não sabia o que fazer. Precisava de duas. Uma para o café da manhã e outra para o lanchinho da tarde.
Tentei observar as pessoas escolhendo, toquei em várias e até cheirei. Eu, definitivamente, estava com dificuldade para escolher.
E se eu escolhesse a mais bonita, mas quando descascasse, ela fosse azeda?
E se eu escolhesse a menorzinha, e ela tivesse seca?
Como um pedido de socorro, cocei a cabeça. Só conseguia pensar que aquela escolha mudaria o meu dia. Que começaria feliz, se eu chupasse uma mexerica doce ou que começaria triste, se a fruta azedasse a minha boca.
Já estava tarde e eu precisava fazer alguma coisa. Na maioria das vezes, o tempo influência. Talvez porque a gente tenha pressa de ser feliz, talvez porque a gente tenha pressa de comer logo. Seja a azeda ou a doce. Se for a azeda, a gente precisa comer logo, pra superar mais rápido e da próxima, escolher melhor.
Se for a doce, a gente precisa comer logo, pra sentir aquela sensação gostosa de satisfação. E querer cada vez mais.
Todas fazem crescer. Todas desenvolvem, se você quiser se desenvolver.
Resolvi pedir ajuda. O moço que escolhe frutas o dia inteiro, certamente teria algo a me dizer.
Primeiro, ele sorriu. Achou graça da minha inexperiência e me explicou: ou a gente escolhe, ou a gente é escolhido. Logo em seguida, me alertou: você é melhor do que imagina para escolher. Até porque, levantar da cama já é uma escolha. Decidir comer uma fruta, já é outra. Precisamos olhar para escolhas antigas, elas nos fazem repetir erros ou evitá-los.
Vamos nas lisinhas e amarelinhas. Essas costumam ser doces, mas nem sempre são.
Corremos risco. A cada minuto. E nenhuma escolha é certa, nenhuma escolha é absoluta. Mas, precisamos decidir e a minha experiência com frutas, me fez preferir aquelas. Acho que combinam mais com o que eu quero viver e sentir agora, sabe?
Por mais que eu goste de novos sabores, não podia ficar o dia inteiro em frente a todas elas e provar cada hora uma. Preciso colher os frutos de tudo aquilo que venho plantando. E não, eu não podia alugar o moço, escolhedor de frutas, para o resto da vida.
Não escolher, também é uma escolha. Arquemos com as consequências de tudo que escolhermos e de tudo que decidimos não escolher.
Espero que seja doce.
Nós vamos (es)colher.


Warning: count(): Parameter must be an array or an object that implements Countable in /home/calcasquadradas/www/wp-includes/class-wp-comment-query.php on line 405

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *